quinta-feira, 10 de julho de 2008

Expectativas para um futuro próximo!

Ontem recebi a seguinte mensagem de uma amiga:
«... acho que ontem vivias um momento de enorme felicidade ... tinhas finalmente conseguido falar com o teu filho!!! No entanto este teu post de hoje deixa transparecer uma certa nostalgia ... penso que finda a emoção do momento ..."acordaste" para a dura e triste realidade!!Presentemente qual é a leitura que fazes deste contacto que recebeste ... qual são as tuas expectativas para um futuro próximo?Será que podemos ter esperanças que daqui para a frente tudo seja diferente?».
Sim, é verdade, na passada terça-feira senti-me imensamente feliz por ter ouvido o meu filho. Apesar da angústia e da saudade não consegui deixar de me sentir exuberante de alegria por o ter ouvido, por ter percebido que está com a voz mais forte, que está a crescer. Embora chocado com as vozes de fundo, embora petrificado com a acusação de que não lhe ligo, senti-me bem. Eu sei que lhe ligo, eu sei que não desisto, eu sei que ele acreditará em mim. Não obstante, ontem, ao escrever neste blog sobre o último dia em que privei com o Gonçalo, voltei a sentir uma enorme tristeza. Como diz a Filipa, acordei para a dura e triste realidade! O meu filho continua ausente, longe de mim. Confesso que ainda não lhe tentei ligar depois daquele contacto. Vou fazê-lo amanhã, sexta-feira. Não sei se algo mudou, não sei se as minhas chamadas vão passar a ser atendidas.
O contacto com o Gonçalo foi muito importante para mim. Por um lado descansou-me e, por outro lado, fez-me sentir que não posso desistir nunca de o ter mais perto. Não tenho demasiadas expectativas para o futuro próximo. Espero apenas que o Meritíssimo Juiz de Direito do 3º Juízo do Tribunal de Família e Menores do Porto tome uma decisão breve e justa. Decida pelo bem do Gonçalo na certeza do que, para ele e para o seu futuro será melhor. Ainda acredito nesta justiça e aguardo, já um pouco impaciente, por uma decisão ao que eu requeri. Neste momento, com o condicionalismo actual não tenho como cumprir os meus deveres de pai e, muito menos tenho como usufruir dos meus direitos. Sim, é verdade, preocupa-me imenso não me ser indicada uma conta bancária ou uma morada para eu proceder ao pagamento da prestação de alimentos. Sinto-me em falta com o Gonçalo mas, não tenho como cumprir. Todos os meses ponho de lado a quantia referente à prestação de alimentos do meu filho mas, ainda assim, sinto-me privado, até mesmo do meu dever!
Eu guardo a firme esperança de que tudo poderá mudar. Nem consigo imaginar mais um mês sem ver o Gonçalo. Passaram mais de 8 meses! Mais um mês será insuportável. Tenho esperança de, a curto prazo ver o Gonçalo.
Infelizmente não posso deslocar-me a Angola. Eventualmente poderia organizar as minhas férias por lá mas...para onde poderia ir em segurança? Que garantias terei de ver o Gonçalo, de o encontrar? Não, não me parece uma solução equilibrada e de bom senso. Vou ficar por aqui e lutar com as armas da justiça. Vou ficar sob a protecção do meu Estado, do meu país, da minha justiça. É ao Estado Português que, atenta a falha do acordo estabelecido, compete proteger-me. É em Portugal e a Portugal que deverei exigir os meus direitos e, neste caso, é o Tribunal que deverá encontrar uma forma de me permitir cumprir os meus deveres.
Não há dúvidas, em determinados momentos sinto-me carregado de energia mas, momentos existem em que me sinto arrasado. Tenho imensas saudades do Gonçalo. Decidimos renovar o quarto dele, tal como, antes de prevista a ida dele para Angola haviamos combinado. O meu filho gosta da cor laranja. Estamos a remodelar o espaço com os pormenores que ele tinha referido. Com isto, confesso, reafirmo as minhas forças e a minha esperança!
Não desisto!
A todos, uma vez mais, muito obrigado pelo apoio que me fazem chegar.
Um abraço sentido

11 comentários:

gosto-muito-de-voce-leozinho disse...

devias ir a angola mesmo que não tendo garantias...devias de ir..se o encontrasses o gonçalo ficaria marcado para sempre positivamente.

Elisabete disse...

Olá, já acompanho o seu blog há algum tempo e hj decidi deixar-lhe uma mensagem de esperança e e louvor pela sua luta em busca do Gonçalo.
Nunca vi nada assim, apesar de haver imensas histórias como a sua, infelizmente.
Acho-o um lutador nato e o Gonçalo saberá um dia o esforço e perseverança do pai em tê-lo de volta.
Nunca desista do seu filho, nunca.
E o Gonçalo saberá e sente o quanto o pai o ama e que continua a lutar por ele.
Um dia, estes meses serão apenas uma recordação de vida menos boa.
Ir a Angola, é arriscado...é um país inseguro...mas se conseguisse ir e ver o Gonçalo, seria excelente.
Comtinuarei, se me permitir, a acompanhar a sua luta.
Muita força

gosto-muito-de-voce-leozinho disse...

uma das coisas que devias exigir era saber a localização do teu filho...a morada exacta e sempre que houver mudnças seres avisado...

o pai da minha não a vem buscar ao infantario fora das visitas distipuladas pq 10 km é muito...diz ele ....e tu nessa situação...mundo injusto este

filipa disse...

Olá Sergio,

Já tenho visto que algumas pessoas que comentam os teus posts são da opinião que deverias ir a Angola. Com o devido respeito que tenho por todas elas, eu não concordo. Acredito que essa seria a tua vontade ... mas a recepção é sempre uma incognita. Não sabemos à partida qual seria a recepção que irias ter por parte da mãe do Gonçalo, o que poderia desencadear um encontro complicado e problemático, já para não dizer traumático, quer para ti, mas especialmente para o Gonçalo. Não sabemos se a mãe não poderia sentir-se intimidada com a tua presença e até começar a fazer um teatro qualquer, tentando fazer crer que tu pretenderias "raptar" o Gonçalo!Que protecção poderias ter se tal acontecesse? Nesse País onde os direitos humanos praticamente não existem, penso que seria muito arriscado!

Um beijinho

Sofia disse...

Ola Sérgio

leio sempre o teu blog, acompanho cada passo, cada noticia, cada desabafo e nem sempre comento!
Ás vezes nem sei o que te dizer!

Mas desta vez, quero-te deixar coragem, positivismo, e confiança!
Espero que o estado portuguÊs em que tanto acreditas, faça por merecer, a confiança que lhe depositas.

Eu estou certa que sim, como nao?

beijinhos e força!

Mar disse...

Olá, eu também sou da opinião, tal como a Filipa, que não deverias ir a Angola. A viagem poderia deitar tudo a perder. Julgo ser mais sensato lutar em Portugal.

Bjs

Cláudia, Pimpo & Pimpa disse...

Aqui estou mais uma vez para te deixar, muita força!

Bjs Cláudia

Shakti disse...

Acima de tudo e depois destes oito meses de sofrimento da tua parte , penso que apenas deves fazer o que realmente queres...o que te manda o coração e a consciência...
É complicado, muito complicado ,mas o Gonçalo já tem uma idade que entende muita coisa , por muito que longe estejam a fazer a cabeça ao miúdo...
Pensa em ti , mas acima de tudo pensa no Gonçalo...


Força e esperança sempre !!!!!

Mamã e Tesourinhos disse...

Olá!
Também concordo com a Filipa. Deves aguardar que a Justiça seja feita.
Como já te disse várias vezes, acredtio que o Gonçalo sabe distinguir a verdade. E se não conseguirem viver agora a relação de Pai e Filho, mais tarde ele vai querer gozá-la. Tenho Fé nisso.
Tive na minha família um caso parecido, a mãe a "envenenar" a filha contra o pai. E era/é um pai que nunca deixou faltar nada à filha. Como tinha possibilidades, dava o dobro do que o Tribunal tinha estabelecido. A mãe escondeu isso tudo... Revoltante!
Fica bem.
Bjs.

Mamie2 disse...

Olá!
Espero sinceramente que consigas trazer o teu Gonçalo para perto de ti!

Ninguém tem o direito de privar um filho de conviver com um pai ou uma mãe! É não amar essa criança!

Coragem!
Bjs

Ana e Kiko disse...

Muita força.
Beijinho grande