segunda-feira, 22 de setembro de 2008

...um passo atrás!

Não são poucas as vezes em que as pessoas, principalmente os meus familiares tentam poupar-me a uma ou outra novidade que, segundo eles me poderá magoar, entristecer ou angustiar. Este final de semana, durante o jantar de aniversário da minha mãe soube, por ela novidades do meu filho. Novidades!? Bom, talvez não lhes possa chamar “novidade” mas antes “novas” do meu pequeno Gonçalo.
Eu, como sabem, por mais que tente estabelecer um contacto telefónico não consigo! Permanentemente o número de que disponho está desligado ou sem rede e, muitas vezes, apesar do sinal de chamada ninguém me atende. Não entendo porquê mas, nos últimos meses aprendi que o ser humano actua muitas vezes de forma racional o que, como é evidente impede outros de o entenderem. Assim tem vindo a acontecer no que concerne ao cumprimento do regime de visitas estabelecido para mim e para o meu filho.
Apesar de impossibilitado de estabelecer contactos para Angola, os meus pais, algumas das vezes que tentam conseguem falar com o neto. Estávamos muito mais satisfeitos porque, nos últimos contactos o Gonçalo atendia ele próprio as chamadas e falava, aparentemente à vontade. Num destes contactos chegou mesmo a manifestar as saudades da família, dos amigos, do país! Não obstante, não foi assim no último telefonema que aconteceu no inicio da semana passada e, do qual eu só tomei conhecimento numa das noites deste último fim-de-semana. É verdade! Para grande terror dos meus pais e minha profunda tristeza voltaram os telefonemas sobre pressão! Isto é, os telefonemas em que o Gonçalo se limita a dizer “eh, uh, sim, não!” e, de lado conseguimos ouvir as instruções de alguém a manipular a conversa. Desta vez a minha mãe não aguentou e perguntou quem estava ao lado do Gonçalo. O meu filho respondeu e, a minha mãe, invocando a qualidade de avó disse ao Gonçalo o quanto estávamos a sofrer pela ausência dele aqui, o quanto eu o amava e lutava por ele. A minha mãe conseguiu dizer ao Gonçalo que ele tinha sido levado para tão longe de nós mas que, todos os dias pensávamos nele, todos os dias lutávamos para o voltar a ver. Disse-lhe ainda, “Filho, a avó pode nunca mais voltar a ver-te mas, nunca te esqueças: aqui és mesmo muito querido, amado…e nunca, mas nunca te vamos esquecer.”. E esta é a verdade! Todos os dias lutamos pela presença do Gonçalo, todos os dias analisamos e estudamos a melhor forma de voltar a ter aqui o nosso menino. Nunca, mas nunca ele será esquecido. Nunca o lugar dele poderá ser preenchido. E, sinceramente, eu sinto, eu acredito que nada poderá impedir o regresso do Gonçalo a Portugal!

6 comentários:

Mamã e Tesourinhos disse...

Acho que foi muito importante a tua Mãe ter dito ao Gonçalo o quanto vocês o Amam e sentem a sua falta.
Força nesta luta que nunca deveria de existir.
Fica bem.
Bjs.
P.S: o blog já está actualizado com as novas do fim de semana.

S.A. disse...

Compreendo muito bem a posição da tua familia, em tentar por vezes omitir as notícias, é apenas e unicamente para te proteger.

Seria óptimo, se pelo menos 1 vez por semana pudesses contactar o teu menino!

Não faz sentido.

Seria muito saudável para o menino poder estar em contacto com o pai e respectiva familia.

Decididamente há coisas q não consigo entender.


Um beijinho grande e p.f. não abrandes a "luta" pelos direitos do teu filhinho ( e teus).


FORÇA!


Beijinhos


Sandra

filipa disse...

Sergio,

Só espero que esse sere dotado de todos os poderes soberanos, esteja devidamente iluminado, e que tenha presente o superior interesse do Gonçalo!

Estaremos sempre aqui do Vosso lado, com esperança de que em breve a justiça seja feita!!

Manda um beijinho à Sra. tua mãe, pois estou certa que a situação para ela, especialmente neste altura, está a ser particularmente penosa!!

Vocês são fortes e unidos e por isso irão concerteza ultrapassar esta adversidade tão dolorosa!!

Força!!

MamãdaDiana disse...

Deve ter sido muito bom para o Gonçalo ouvir essas palavras! Por outro lado, talvez ele quisesse dizer o mesmo, mas se sentisse intimidado!

Ès um GRANDE PAI!

MamãdaDiana disse...

Deve ter sido muito bom para o Gonçalo ouvir essas palavras! Por outro lado, talvez ele quisesse dizer o mesmo, mas se sentisse intimidado!

Ès um GRANDE PAI!

Kelly disse...

Que situação...E a que pressões ele está sujeito...
Sinto muito por vós mas também por ele por perder a hipótese do contacto com avós e familiares que o adoram tanto...
Caramba...Será que este pesadelo nunca irá acabar?