quarta-feira, 2 de abril de 2008

... O Gonçalo vai para Angola!


No dia 21 de Setembro de 2007, estava eu a sair da escola onde dou aulas quando recebi um telefonema da minha, então advogada. Atendi à espera de ouvir qualquer coisa relacionada com o meu filho mas, sinceramente, nunca que a mãe dele pretendia levá-lo para fora do país. Naquele momento, depois de ouvir, fiquei a saber que a minha ex mulher tinha solicitado ao Tribunal de Família e Menores uma alteração do Acordo de Regulação Paternal. A intenção era mudar o acordado (e por ela nunca cumprido) de forma a poder ir viver com o meu filho para Angola. Fiquei gelado! Naquele momento temi perder ainda mais da vida do Gonçalo. Fiz alguns telefonemas para as pessoas que me são queridas e, juntamente com a minha advogada, decidi propor ao Tribunal que a guarda e poder paternal do Gonçalo me fossem entregues, pelo menos durante o período de ausência da mãe. Na verdade, a minha ex mulher apresentava um contrato de trabalho por um período de apenas um ano. Ora, assim sendo, para mim, parecia lógica que me fosse confiada a guarda do Gonçalo pelo menos por esse período. Desta forma eu, em conjunto com a minha família, poderia manter o menino no colégio onde estudava e assegurar-lhe o convívio com os seus restantes familiares, designadamente os avós maternos, e amigos.
Esperei ansioso por uma decisão judicial!
A mãe do Gonçalo informara o Tribunal da necessidade de chegar a Angola até ao dia 15 de Outubro de 2007. Em menos de um mês pretendia resolver a vida do Gonçalo e, com isso, impor sérias alterações na minha vida.
Assim foi, o Tribunal, diligente, marcou uma conferência de pais para o dia 10 de Outubro, se não me falha a memória. Confesso que entrei naquele edifício com a firme esperança de que, em nome do bem do Gonçalo, o Tribunal acabaria por decidir pela sua permanência em Portugal. Francamente, apesar dos tantos casos conhecidos ou simplesmente de que me falavam, eu acreditava numa decisão equitativa e, acima de tudo, de uma decisão em nome da criança. Não aconteceu assim! Mal entrei na sala de audiência, de imediato a Senhora Procuradora do processo me disse que estava decidido autorizar a viagem do meu filho para Angola. Portanto, restava chegar a um acordo quanto ao regime de visitas.
Estava decidido? Mas eu não me pronunciei, eu nada disse…e o Gonçalo? Estava decidido? Porquê? Por ser o melhor para o Gonçalo? Respondeu-me o Senhor Juiz que, neste caso, não existiam razões para alterar a guarda e o poder paternal. Razões? Mas…a mãe do meu filho quer fazê-lo viver longe dos seus familiares e amigos, num país distante, desconhecido e, como sabemos com sérios riscos em termos de segurança. Nada importa: estava decidido!
A partir daquele momento a mim só me ouviram dizer: Senhores doutores, se o Gonçalo entrar no avião eu nunca mais o vejo! Senhores doutores, durante quatro anos a mãe do meu filho nunca cumpriu o acordo de regulação do poder paternal. Não o cumpriu em Portugal eu garanto que não cumprirá em Angola. E assim foi, repeti estas frases durante cerca de duas horas.
Foi a minha advogada quem, por mim, fez as alterações do acordado quanto ao regime de visitas. Eu sempre soube: nunca mais voltaria a ver o Gonçalo.
O Gonçalo tem agora 8 anos mas, ainda assim, não entendo como foi possível escolherem para ele, sem sequer o ouvirem, um destino e uma vida longe de casa e de parte das pessoas que ele ama.
Senhores doutores, infelizmente eu tinha razão: Algum dos senhores me sabe dizer, com absoluta certeza onde está o meu filho? Não o vejo desde o dia 21 de Outubro de 2007. Algum dos senhores me sabe dizer porquê? Algum dos senhores é capaz de fazer cumprir este acordo? Algum dos senhores sabe como vai o Gonçalo de saúde? Como corre a escola?
Senhores doutores, daqui por dez anos, pelo menos daqui por dez anos eu vou querer apresentar-lhes o meu filho, nessa altura com dezoito anos e, sinceramente, vou querer que o ouçam, pelo menos nessa altura, sobre a decisão que, em nome dele tomaram!
Continuo sem notícias do meu querido filho!

8 comentários:

Anónimo disse...

Força e coragem para os dois! Espero que esta situação se resolva em breve.
Beijos
Marcia

Jorge Emiliano disse...

Espero que depois disto tudo esses senhores doutores ou doutoras, que se sentam em cadeiras robustas e nos olham de cima, a pensar que emanam de si, todo o poder de decisão e a verdade..mostram confiança e acima de tudo, que a sua decisão é o melhor para não terem trabalho....SENHORES PODEROSOS! também erram..por isso (e recentemente) têm que aderir a um seguro de responsabilidade civil...remedeiem este caso com a justiça que merece...a entrega da guarda a este Pai... devolvam o Gonçalo aos seus familiares que o amam...Senhores Poderosos! o Gonçalo está sozinho...só com a mãe...provavelmente entregue durante o dia a terceiros e na melhor das hipóteses a uma escola! durante a noite entregue ao "sono"...não acham que erraram?! Entreguem o Gonçalo aqueles que o amam de verdade e que, com toda a certeza não o sujeitariam a uma barbaridade destas!?

Este Pai não vê o filho há cerca de 6 meses...espero que a vossa decisão, senhores doutores, não seja a de facilitarem a vossa vida, enquanto decisores...mas facilitem a vida deste menino, do seu Pai e seus familiares e demais amigos...a sua permanência com estes em Portugal!

Amigo Sérgio, acredite porque eu acredito que este seu filho vai voltar em breve!..acredite! acredite e tenha fé, que este erro vá ser remediado!

Jorge Emiliano

pedrolpinto disse...

Realmente, só decide assim quem não quer ter trabalho, para ler um processo como o teu, amigo Sérgio! Nós acompanhamos a tua dor e acompanhamos a tristeza e os vómitos do Gonçalo quando tinha que voltar, ao Domingo, para a mãe.

Pedro M disse...

força amigo! estamos próximo de ter o Gonçalo connosco. desta feita não há juiz algum que decida a favor dela! o Gonçalo é uma criança, que tem direitos e direitos reconhecidos pela UE..
PedroM

Rosalina Matos disse...

Tive contacto deste blogue por uma pessoa do seu circulo de amigos, que ja me tinha contado por alto, a sua história. Ao ler nunca poderia imaginar que uma mãe, cega de raiva, possa usar o seu filho, numa guerra que só prejudica o seu filho.
Vejo que é uma pessoa honrada e de princípios, que luta por amor que ninguém poderá algum dia quebrar..nem com a morte.
Siga, Sérgio...um dia o Gonçalo virá para o seu lado. Rezarei por si, pelo Gonçalo, para que estejam juntos em breve.

Rosalina Meireles Matos

Anónimo disse...

Força Amigo!

RicardoH

Anónimo disse...

Com a foto nesta mensagem relembro o olhar de traquinas, do nosso amiguinho Gonçalo, a pensar nas brincadeiras que iria propor para aqueles que o rodeavam. Este olhar lembra-me também os momentos em que via o Gonçalo brincar com o meu filho, o melhor amigo do Gonçalo.
Quando o Gonçalo estava ca em Portugal, era dificil ve-lo. Uma vez de 15 em 15 dias, era possivel ve-lo quando a mãe o deixava estar com o Pai. Lembro de perguntar muitas vezes ao Sérgio: " Como é o Gonçalo este fim de semana pode estar com o meu filho?", ao que o Sérgio respondia sempre: " não sei?! depende da mãe dele. Se ele vier eu passo por aqui ou telefono-te para o isac vir!...

É triste ver o Sérgio a sofrer..
è bonito ver o quanto o Gonçalo o ama e idolatra...e tao giro ver a relaçao deles.

Marco

Maria Alexandra Martins disse...

Marco, ao ler o comentário que deixou lembrei-me de como fui feliz no último dia em que o Isac e o Gonçalo brincaram juntos. Não me recordo de ter tido uma sensação assim antes. Eles correram, jogaram futebol, subiram a uma árvore e carregaram-me de beijos e abraços. Eu e o Sérgio aproveitamos tão bem esse dia. Lembro-me que os meus pais, que adoram o Gonçalo, adoraram também o Isac e fartaram-se de rir com as conversas e brincadeiras deles.
Obrigada por aqueles momentos!Espero que em breve se repitam. O Gonçalo tem um grande carinho pelo Isac e, os dois, são uma dupla muito divertida e interessante.
Sérgio, já sabes...estamos juntos em tudo como um só!