domingo, 28 de março de 2010

Breve conversa com o Gonçalo

Hoje, depois de muitas tentativas consegui falar com o Gonçalo. Como sempre sujeitei-me a ouvir os comentários e propostas de resposta de terceiros que, aparentemente estavam ao lado do meu filho mas, ainda assim sempre foi possível ouvir a voz dele e tentar perceber se está bem.
O Gonçalo diz-me que em breve virá a Portugal embora, como é evidente não lhe seja possível adiantar-me a data. Antes de nos despedirmos ainda me perguntou pelo João, se já andava, se já falava, se já comia! Achei deliciosa a preocupação e cuidado com o irmão. Achei o máximo não se esquecer de querer saber dele.
Tenho cada vez mais saudades do meu filho. É cada vez mais difícil olhar para o futuro, a curto prazo e saber que não o vejo no imediato.
A semana passada aceitei um comentário de alguém que, aparentemente se indignava com este blog. Pelo que me foi possível perceber a pessoa que não se identificou, deixava saber como achava que este blog era prejudicial ao meu filho Gonçalo. Pensei durante horas naquelas palavras e até pensei deixar de escrever mas, em boa verdade conclui que aquela pessoa não tem razão!
O blog Filho Para Sempre não pretende e não é um meio de maldizer. Nestes textos não se escreve e não se pretende escrever sobre os erros de terceiros. Antes, neste blog aproveito para conversar comigo mesmo, recolher experiências de outros e, principalmente desabafar a tristeza e angústia que sinto por estar tão afastado do meu filho. Conclui que quem me deixou aquele comentário por certo não sabe o que é estar privado de alguém a quem se quer bem, mas a quem se quer realmente muito bem.
Independentemente de culpas ou desculpas a verdade é que estou sem ver o Gonçalo há mais de um ano, aliás, fará precisamente treze meses no dia 2 de Abril! Sem culpas ou desculpas eu não vejo o meu filho, não sei se ele vai bem na escola, desconheço se está bem de saúde, se fez novos amigos, se sente saudades do pai, se tem vontade de conhecer o irmão! Sem culpas ou desculpas tenho dois filho que nunca se viram.
Não será demasiado atrevimento pedir-lhe a si que me deixou aquele comentário para fazer um exercício:
Tem filhos? Imagine que um dos seus filhos faz uma viagem, por exemplo imagine que um dos seus filhos vai estudar para fora num regime de mobilidade. Agora suponha que durante uma semana não consegue falar com ele. Conseguiu fechar os olhos e visualizar esta situação? O que sente?
Bom...imagine agora que não vê o seu filho há mais de um ano. Imagine que não sabe onde ele mora, não sabe como ele se sente. Consegue imaginar? Não consegue...garanto-lhe que não consegue! Mesmo que saiba que o seu filho está na companhia do outro progenitor, garanto-lhe que sofrerá muito se não falar com ele por apenas uma semana!
Do Tribunal?
Nada de novo e mais um prazo!
Parece graça, parece mentira mas o Magistrado Judicial responsável pelo processo deu um novo prazo ao Mandatário da mãe do Gonçalo para se pronunciar! Desta vez invoca a acta da última conferência, remete requerimentos nossos pretendendo saber em que data virá o Gonçalo a Portugal e concede prazo para pronúncia. Mais um mês de espera. O Advogado da mãe do meu filho Gonçalo poderá pronunciar-se até ao dia 15 de Abril de 2010.
A respeito desta forma de agir do Tribunal de Família e Menores do Porto acabei por me lembrar de um outro comentário anónimo. Desta vez refiro-me a um comentário até pouco educado e que me acusa de ser lamechas! Na verdade até sou muito lamechas, na verdade até gosto de me sentir bem acarinhado e muito, mas mesmo muito mimado mas, não é o caso quando o assunto é o Gonçalo!
Este blog não se pretende lamechas, por aqui não pretendo queixar-me ou lamentar a minha dor. Não, nada disso. Neste blog converso, desabafo, leio outras vidas e absorvo diferentes opiniões. Este blog não é um ninho de lamechices, não se pretende um queixume. Este blog são conversas de protesto.
Enfim, de mangas arregaçadas e prontíssimo para continuar a lutar pelos meus direitos de pai sem esquecer os direitos do meu filho!
Uma nota final para todos os que falam, comentam e se atrevem a opinar sobre os outros e outras vidas: Vale sempre a pena olhar primeiro para a nossa vida, vale sempre a pena duvidar do que nos dizem se não virmos ou ouvirmos dos falados, dos que são vítimas da opinião e da maldicência. Aliás: O tempo acaba por trazer todas as verdades, todas as verdades tardam mas não falham. Por outro lado, nas sábias palavras de uma senhora que em breve se aposentará "A Justiça quando tarda já não é Justiça!"
Abraço a todos

13 comentários:

kristina disse...

Estou completamente de acordo contigo!
Só quem não sabe o que é estar sem um filho é que nós pode acusar !
Seja lá o que tenha acontecido entre os adultos nada justifica este sofrimento!
Leio as tuas palavras e revejo o que sinto , a mim tambem me acusam de se lamechas mas não dsesistas , tambem não vou desistir podemos ser lamechas mas amamos os nossos filhos e eles amam nos por muito que os outros nos queiram fazer acreditar o contrario!

Eu e Ela disse...

Não concordo nada com os comentários anónimos que recebeu.

Sigo a vossa história de perto, porque tudo quanto tenha a ver com injustiças me toca, tudo o que envolva inocentes me toca.

Sem culpas ou desculpas, o caso entre os pais do Gonçalo é entre os pais do Gonçalo, não tem que ser o Gonçalo o maior privado, o maior prejudicado. É triste quando assim é, quando os pais não se entendem e os filhos é que sofrem.

Lamechas? Não, não acho. Somente um pai, com P grande, como todos deviam ser, que ama o seu filho e o quer acompanhar a crescer.

Maldizente? Também não acho. Aliás, acho que o Sérgio tem muita postura e serenidade. Nunca li nada de ofensivo sobre a mãe do Gonçalo, apesar de tudo quanto o faz sofrer por ter levado o filho de ambos para longe de si e o privar da sua companhia.

Por tudo isto, o admiro muito e lhe desejo muita força para que tudo corra pelo melhor e que possa, muito brevemente, privar com o seu filho.

Cumprimentos.

Luis disse...

Esta é a justiçazinha que temos...
Continua a ser "lamechas" ou lá o que pensem que és... o importante é cada um estar de bem com a sua consciência...uma coisa é certa: tu és um verdadeiro Pai!!!
Abraço solidário
Luís Uva

Anónimo disse...

Fico contente por saber que nada te deita abaixo Sérgio. Acho que és um Homem com grande coragem por nunca desistires do Gonçalo mesmo passado tanto tempo não sei onde consegues arranjar tanta força para continuares. És uma pessoa de dar valor. Continua assim! Não desistas!
Com um enorme abraço me despeço.


Tiago Afonso

Ana disse...

Quem fez esses comentários, anónimos, não sabe de certeza que muito pior do que um pai não ver um filho e não saber nada dele, é uma criança, um filho não sentir que tem um pai que gosta dele, que luta por ele e que se preocupa com ele acima de tudo! Este blog é a única forma de um dia o Gonçalo perceber que sempre teve um pai e sofrer e a lutar por ele!!!!! Estes anos das vossas vidas não voltam...mas os que virão podem de alguma forma ser bem vividos se o Gonçalo entender que neste tempo nunca esteve só nem tão pouco abandonado pelo pai, pela família paterna e pelos amigos:) Sérgio és um exemplo para todos os pais deste mundo que têm os filhos e não aproveitam o tempo que têm com eles!
Beijinhos

ana e marcos

fénix renascida disse...

Também me criticaram de expôr o meu caso.
O meu blog FILHO PARIDO NA DOR, FILHO CRIADO COM AMOR segue a mesma linha, salvo as diferenças que nele se notam.
Um pai tem todo o direito de protestar se não consegue ver o filho há mais de um ano. O resto da história eu não sei, até porque nunca ouvi a outra parte. Isso pouco me interessa.
Acho que tem direito a estar (a ficar é outra coisa, e isso cabe apenas ao tribunal decidir) com o seu filho.Ele tem direito a conhecer este irmão e poder privar com ele.

Anónimo disse...

breve! será mesmo isso que teras, breves conversas. anormal, para de expores um menino tao fragil. ele um dia vai ler isto e saber que o pai e um maluco, um chanfrado!

Ana disse...

Olá, Sérgio
Pela 1ª vez aqui vim, ver o teu blog sobre o drama que te acompanha há uns bons anos.
Agora que também tenho o Diogo, não consigo imaginar o que é estar sem a companhia dele.
Acho que tens mt força e coragem e espero que continues com ânimo para levar até ao fim esta luta.
Temos que nos encontrar para conhecer o teu rebento novo!
Um grande beijo... Ana (Pedro e Diogo)

Filipa disse...

Sergio,

Neste momento estou a ver "As Tardes da Julia" onde uma mãe (professora) foi acusada de alienação parental. A consequência foi a condenação a 1 ano e meio de pena suspena e a institucionalização da criança, pelo que em 9 meses só pôde ir a casa 2 dias.
A mãe alega que nunca impediu as visitas, mas a criança não queria ir, e só lhe implorava que não a deixasse ir para o pai.
A determinada altura as visitas foram asseguradas com a presença da GNR (durante 1 ano).
Depois as visitas foram estipuladas numa associação de apoio à criança, mas a criança não queria ir ... pelo que o pai avançou com uma queixa contra a mãe, acusando-a de alienação parental. Contudo, quem está a sofrer as consequências é a criança, que agora nem pode contar com a mãe nem com o pai!!!.

Há juízes que não dão importância alguma à alienação parental e há outros que vão ao extremo de institucionalizar uma criança, que é sem dúvida uma medida que deve ser tomada em "última instância".

O Advogado em estúdio está extasiado com os fundamentos da sentença!!!

Beijinhos e desculpa o desabafo, mas quando oiço falar na alienação parental é impossível não me lembrar de vocês

Filipa disse...

A Sra. tem site: www.queridafilha.com e já foi feita uma reportagem pela RTP:

http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=25508&e_id=&c_id=1&dif=tv&dataP=2010-01-20


Fico perplexa com estas injustiças!!

Anónimo disse...

Este caso continua a ser dos que mais me choca, mesmo perante todos os já demonstrado na comunicação social. Talvez porque acompanhe com freuqência o blog. Houvesse algo que pudessemos fazer para o ajudar a estar com o Gonçalo, para saber (boas!) novas dele.
Por falar nisso, já quase ha um mês que não nos dá noticias.
Por favor, não deixe de nos por a par situação do processo, e de eventuais contactos com o seu filho. Tem vários anónimos com bom senso (nos quais humildemente me incluo) que torcem por um final feliz para a sua familia.

Desejos de força, muita força...

Ana Andrade.

Silvana disse...

Um abraço de solidariedade. Aproveitei para fazer o exercício que sugeriu e fiquei de lágrimas nos olhos. Também estou separada do Pai do meu filho e seria incapaz de privar o meu filho de ter contacto com o Pai. Pelo meu filho e também, porque não, pelo Pai dele que, amores e desamores à parte, me merece todo o respeito. Mais tarde ou mais cedo, a situação há-de resolver-se mas imagino que esta espera o angustie... muito.

Anónimo disse...

Olá!
Apenas hoje conheci este blog.
Fui lendo cada mensagem que colocou até chegar a esta. Fiquei chocada com a sua história, e principalmente triste pelo Gonçalo... Como é possível um mãe privar o filho de falar e de estar com o próprio pai??! Certamente não ama o filho de forma normal! Amar um filho é fazer tudo por ele, para o bem estar e felicidade dele!!! Amar é partilhar nos bons e nos maus momentos! Será que essa mãe teve um pai? Essa senhora, que para mim não tem nada de normal, devia era ganhar juízo e tomar consciência do mal que está a fazer ao filho!!!

Li aqui um comentário de um "Anónimo" que é tão corajoso que nem sequer se assume!!! Ele há com cada anormal!!! Ganha juízo e vai mas é pensar na tua vida! Que certamente será mt frustante!!

A si Sérgio, desejo do fundo do meu coração de mãe, que esta situação se resolva rapidamente e possa rever o seu filho!!
Desejo firmemente que os nossos tribunais se reajustem e comecem a resolver estas situações rapidamente!

Um beijinho de coração para toda a familia em especial para o Gonçalo que é na realidade o mais prejudicado no meio de toda esta história.

Marisa Martins
(mãe de um menino com 3 anos)