terça-feira, 27 de maio de 2008

...7 meses! Tenho pena de ti.

Há 7 meses que não vejo o meu filho!
Não descrevo a dor que sinto pela ausência do meu querido Gonçalo. Não é possível viver a sorrir quando penso que "perdi" o crescimento do meu filho. Perdi o seu sorriso, o tom de voz, a gargalhada, a conversa...perdi durante, pelo menos 7 meses!
Não te guardo rancor...tenho pena de ti! Em breve também tu perderás o teu filho...perderás para sempre e, por mais que queiras nunca mais o poderás abraçar. Por mais que sofras nunca mais poderás pedir-lhe perdão pela dor que hoje lhe causas. Tu vais perdê-lo...para sempre. Nessa altura, sou eu quem o vai pegar no colo, dar-lhe o amor e o carinho que merece e precisa. Nessa altura, sou eu quem lhe vai proporcionar alegria e felicidade. Nessa altura já a justiça do homens virá sem tempo e será posterior á justiça divina.
Tenho pena de ti...
Espero pelo Gonçalo com paciência e carregado de amor. Não temos pressa...eu e o meu filho somos para sempre. Nada nos afasta...
Filho, sei que estás alto, moreno, de cabelo comprido. Sei que te deitas cedo...porquê? Tu que adoras conversar e brincar? Deitas-te agora às 20h? Não estás bem filho? O papa adora-te. Aqui, em Portugal tens uma família à tua espera. Vamos fazer mil coisas juntos. Tu sabes...Eu, a Xana, os avós, o padrinho, os avós emprestados e todos os amigos...esperamos por ti! Sempre, para sempre.

domingo, 20 de abril de 2008

Hoje falei com o meu filho...

Desde muito novo que tenho o dia de Domingo como o dia da família. Sinceramente cuido da minha família todos os dias mas, é certo, Domingo é sempre diferente, especial e mais relaxado.
Hoje almocei em casa dos meus sogros. O meu sogro gosta muito do Gonçalo. Ele é uma pessoa de poucos sorrisos e, talvez por isso encanta observar como sorri quando vê ou ouve o meu filho. Depois do almoço pegou no telefone da minha sogra e marcou o número angolano da minha ex mulher. Foi uma surpresa! Perante um número desconhecido a mãe do meu filho atendeu e passou o telefone ao Gonçalo. O Heitor falou, contou-lhe que o Futebol Clube do Porto, clube pelo qual ambos torcem, é campeão, perguntou-lhe sobre a escola e foi conversando com ele por alguns minutos. Finalmente passou-me o telefone. Falei com o meu filho! É muito bom ouvir a voz dele e não ter só os "eh!". Conversei com ele, perguntei-lhe sobre a escola, a saúde...enfim. Soube pelo meu filho que só virá a Portugal em Novembro ou Dezembro. Confesso que me entristeceu imaginar que terei de passar mais de um ano sem o ver. No entanto, continuo a confiar na justiça dos homens e a acreditar que o Tribunal o trará mais cedo.
Assumi um compromisso com este blog: contar sempre a verdade! Pois é, hoje falei com o meu filho. Claro que sinto saudades de o ver a abraçar mas...hoje falei com ele!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Concederam-me 4 dias...

Depois das parcas notícias que tive do meu filho e do comentário desajustado que recebi, continuo a aguardar uma decisão ou uma actuação por parte do Tribunal de Família e Menores do Porto.
Muito agradeço a todos que visitam esta página e que nela transmitem as suas emoções, o seu apoio, os seus conselhos. Sinceramente, muito obrigado a todos!
Depois de autorizada pelo Tribunal a viagem do Gonçalo para Angola confesso, senti-me desesperado e incapaz de agir ou pensar. A conferência de pais em que se decidiu esta alteração aconteceu, como tive oportunidade de contar, no dia 10 de Outubro de 2007 e, no final da audiência, o Juiz do processo aconselhou a mãe do Gonçalo a deixá-lo passar alguns dias comigo antes da partida.
Como era de esperar, já com o que pretendia reduzido a escrito, a mãe do meu filho disse uma série de coisas no sentido de justificar o não acolhimento do conselho. Não obstante, perante a incisiva intervenção de um advogado presente, o mandatário da minha ex mulher, lá concordou. Ficou decidido que eu ia buscar o Gonçalo no dia 17 de Outubro pelas 19h15m. Lembro-me de ter pensado naquele momento: Ah! Afinal já não tem que estar em Angola até ao dia 15!?
Também para lá do que ficou em acta recebi um conselho, pedir uma avaliação psicológica ao Gonçalo quando ele viesse no Natal. Lembro-me de ter sorrido e dito que não pretendia sujeitar o meu filho a uma situação dessas e, para além disso, tinha a certeza que ele não voltaria no Natal. E não voltou!
Assim foi, abandonei o edifício do Tribunal desfeito, sem forças e com uma enorme vontade de desistir de lutar.
Preparei-me para os últimos momentos com o meu filho. Fui buscar todas as minhas forças e convenci-me de que ia passar aqueles dias a sorrir e a aproveitar ao máximo a companhia dele. Assim foi! Fui buscá-lo no dia 17 de Outubro de 2007, restavam-me 4 dias até deixar de o ver por tempo indeterminado.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Uma ameaça?

O nosso blog recebeu, esta tarde o seguinte comentário: «Anónimo disse... pelos vistos vais ter que o ir buscar a angola...................mas terás que ter cuidados com as tuas costas.......... ;)3 de Abril de 2008 16:54». Decidi publicá-lo desta forma para lamentar, uma vez mais, a atitude dos que, com a capa da cobardia, se limitam a escrever sem pensar. Nos dias de hoje, em que é tão fácil investigar e imputar responsabilidades criminais a quem escreve através de um computador pessoal ou profissional, ainda há quem, desprovido de senso ou por ignorância, deixe ameaças públicas! Será alguém sem nada a temer? Provavelmente alguém que nada mais espera da vida e aguarda o seu fim? Alguém que foge da verdade? Foge da realidade? Alguém que não recebe amor? Alguém que não tem a quem acarinhar? Não receio ameaças. Pelo meu filho estou disposto a lutar sem medos, sem constrangimentos mas sempre com um objectivo: Gonçalo, vais voltar e vais ser feliz!
Sinceramente desejo que a mãe do meu filho esteja o melhor possível, desejo que também ela se sinta segura e bem de saúde. Não me alegraria uma notícia de que a minha ex mulher estava mal, triste, doente. O bem da minha ex mulher é, em simultâneo o bem do Gonçalo.
Naturalmente prefiro acreditar que o comentário supra não provém da mãe do meu filho. Bem sabemos que na internet estamos sujeitos a pessoas curiosas e de mal com a vida.
A este anónimo desejo o melhor e, principalmente, não desiste de viver todo o tempo que lhe resta, o mais feliz possível!
Bem haja!

Tive notícias do meu filho!


Como disse anteriormente, este espaço permite-me desabafar, acreditar e sentir o apoio daqueles que o visitam e o comentam. No entanto, assumi o compromisso de ir relatando toda a verdade. As verdades passadas e bem assim como aquelas que vão surgindo. Por princípio não minto e não omito. Fui educado para a verdade e pugno sempre por ela.
Tive notícias do meu filho! Eu, pessoalmente não tenho conseguido entrar em contacto com a mãe do Gonçalo e, consequentemente não tenho falado com o meu filhote. No entanto os meus pais conseguiram estabelecer uma ligação telefónica. Ambos, o meu pai e a minha mãe, falaram com o neto. O Gonçalo fala muito pouco e, no essencial, apenas responde “eh!” às perguntas que lhe são colocadas como, por exemplo, “como vai a escola?”, “estás a gostar?” etc. A minha mãe perguntou-lhe porque não falava ao que ele respondeu “estou com a mãe”!!! Estou com a mãe? Estarás tu a pressionar o nosso filho ao ponto de ele se intimidar com um contacto dos avós? Desejo que não. Prefiro acreditar na ilusão de que o Gonçalo vive sem constrangimento das suas ideias, das suas vontades enquanto ser humano. Que medo é esse filho? Porque estás assim? Temo muito pelo futuro do Gonçalo, pelo seu bem estar, pela sua saúde, pela sua segurança.
Felizmente, em Angola, alguém viu o meu filho. A meu pedido foi procurá-lo com a intenção de verificar como estava. Confesso que fiquei mais aliviado. Alguém da confiança da minha família teve a oportunidade de estar com o Gonçalo, por pouco tempo que tenha sido pelo menos ouvi a frase: «O Gonçalo está, relativamente bem. Está muito moreno e com o cabelo comprido. Faz praia, vai à pesca com o companheiro da mãe e anda na escola.». Fiquei satisfeito mas questionei quanto ao “relativamente”. A resposta foi rápida: «O Gonçalo fala muito pouco mas não parece mal». O meu filho, um falador, um menino que adora conversar e opinar, um menino que se senta no sofá e fica tanto tempo a ouvir e a falar. O Gonçalo está, relativamente bem! Confesso que me alegra saber que ele, aparentemente está bem de saúde; que anda na escola, que faz praia e vai à pesca. Confesso que me acalma ter notícias fiáveis do meu filho. Não obstante, preocupa-me o silêncio de uma criança que eu conheço tão “viva” e cheia de alegria.
Continuo a aguardar notícias do Tribunal de Família e Menores do Porto. Continuo a aguardar pelo momento em que volto a ouvir, a ver, a abraçar o NOSSO filho!
Obrigado a todos pelo apoio que tão bem me faz.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

... O Gonçalo vai para Angola!


No dia 21 de Setembro de 2007, estava eu a sair da escola onde dou aulas quando recebi um telefonema da minha, então advogada. Atendi à espera de ouvir qualquer coisa relacionada com o meu filho mas, sinceramente, nunca que a mãe dele pretendia levá-lo para fora do país. Naquele momento, depois de ouvir, fiquei a saber que a minha ex mulher tinha solicitado ao Tribunal de Família e Menores uma alteração do Acordo de Regulação Paternal. A intenção era mudar o acordado (e por ela nunca cumprido) de forma a poder ir viver com o meu filho para Angola. Fiquei gelado! Naquele momento temi perder ainda mais da vida do Gonçalo. Fiz alguns telefonemas para as pessoas que me são queridas e, juntamente com a minha advogada, decidi propor ao Tribunal que a guarda e poder paternal do Gonçalo me fossem entregues, pelo menos durante o período de ausência da mãe. Na verdade, a minha ex mulher apresentava um contrato de trabalho por um período de apenas um ano. Ora, assim sendo, para mim, parecia lógica que me fosse confiada a guarda do Gonçalo pelo menos por esse período. Desta forma eu, em conjunto com a minha família, poderia manter o menino no colégio onde estudava e assegurar-lhe o convívio com os seus restantes familiares, designadamente os avós maternos, e amigos.
Esperei ansioso por uma decisão judicial!
A mãe do Gonçalo informara o Tribunal da necessidade de chegar a Angola até ao dia 15 de Outubro de 2007. Em menos de um mês pretendia resolver a vida do Gonçalo e, com isso, impor sérias alterações na minha vida.
Assim foi, o Tribunal, diligente, marcou uma conferência de pais para o dia 10 de Outubro, se não me falha a memória. Confesso que entrei naquele edifício com a firme esperança de que, em nome do bem do Gonçalo, o Tribunal acabaria por decidir pela sua permanência em Portugal. Francamente, apesar dos tantos casos conhecidos ou simplesmente de que me falavam, eu acreditava numa decisão equitativa e, acima de tudo, de uma decisão em nome da criança. Não aconteceu assim! Mal entrei na sala de audiência, de imediato a Senhora Procuradora do processo me disse que estava decidido autorizar a viagem do meu filho para Angola. Portanto, restava chegar a um acordo quanto ao regime de visitas.
Estava decidido? Mas eu não me pronunciei, eu nada disse…e o Gonçalo? Estava decidido? Porquê? Por ser o melhor para o Gonçalo? Respondeu-me o Senhor Juiz que, neste caso, não existiam razões para alterar a guarda e o poder paternal. Razões? Mas…a mãe do meu filho quer fazê-lo viver longe dos seus familiares e amigos, num país distante, desconhecido e, como sabemos com sérios riscos em termos de segurança. Nada importa: estava decidido!
A partir daquele momento a mim só me ouviram dizer: Senhores doutores, se o Gonçalo entrar no avião eu nunca mais o vejo! Senhores doutores, durante quatro anos a mãe do meu filho nunca cumpriu o acordo de regulação do poder paternal. Não o cumpriu em Portugal eu garanto que não cumprirá em Angola. E assim foi, repeti estas frases durante cerca de duas horas.
Foi a minha advogada quem, por mim, fez as alterações do acordado quanto ao regime de visitas. Eu sempre soube: nunca mais voltaria a ver o Gonçalo.
O Gonçalo tem agora 8 anos mas, ainda assim, não entendo como foi possível escolherem para ele, sem sequer o ouvirem, um destino e uma vida longe de casa e de parte das pessoas que ele ama.
Senhores doutores, infelizmente eu tinha razão: Algum dos senhores me sabe dizer, com absoluta certeza onde está o meu filho? Não o vejo desde o dia 21 de Outubro de 2007. Algum dos senhores me sabe dizer porquê? Algum dos senhores é capaz de fazer cumprir este acordo? Algum dos senhores sabe como vai o Gonçalo de saúde? Como corre a escola?
Senhores doutores, daqui por dez anos, pelo menos daqui por dez anos eu vou querer apresentar-lhes o meu filho, nessa altura com dezoito anos e, sinceramente, vou querer que o ouçam, pelo menos nessa altura, sobre a decisão que, em nome dele tomaram!
Continuo sem notícias do meu querido filho!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Depois do Verão...

Depois das férias de verão levei o meu filho, de volta para casa da mãe. Despedi-me dele com a certeza de que nos voltaríamos a ver dentro em breve. Naquela altura 15 dias pareciam-me tempo de mais mas, sinceramente, hoje, volvidos quase 6 meses sem o ver, 15 dias já não parecem tão longos.
É certo que passava duas semanas sem falar com o Gonçalo, sem o ouvir ou saber dele. No entanto, a alegria de o ter perto de mim de sexta-feira a domingo faziam-me esquecer a dor de não o sentir durante aquilo que, na altura, me parecia tanto tempo!
Aos fins de semana praticamente só estávamos em casa para fazer as refeições e dormir. Passeávamos imenso, costumávamos visitar os meus pais, os meus sogros, o meu irmão, os nossos amigos. Nunca deixávamos de ir ao Parque da Cidade para correr e jogar futebol. O Gonçalo adora jogar psp mas, ainda assim, preferia sempre andar de um lado para o outro, confraternizar, aproveitar o bom tempo e conversar muito. Por princípio cuidávamos fazer as refeições em casa e, confesso, esse momento era muito especial.
Durante o fim de semana guardávamos algum tempo para ver um filme apropriado à idade do meu filho. Por essa razão, ficávamos os três na sala ou no quarto dele, em sossego, a apreciar uma história de cada vez.
Um dia, no final de semana antes da notícia da viagem para Angola, o Gonçalo vinha estranho e com excesso de mimo. Pedia abraços e muito colo. Fiquei surpreendido porque o menino me pediu para visitar alguns locais, como por exemplo um parque infantil onde costumávamos ir quando ele tinha cerca de 4, 5 anos. O Gonçalo, durante esse final de semana recordou muito dos anos anteriores...a frase era: Papa, lembras-te quando eu era pequenino e vínhamos aqui?
Achei deliciosas todas aquelas recordações sem me aperceber que o meu filho se estava a despedir e a tentar guardar fortes e boas recordações na sua memória.
Durante a semana que se seguiu recebi a notícia: a minha ex mulher pretendia ir viver para Angola!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Dia do pai!

Dizem que o “Dia do Pai” surgiu há mais de quatro mil anos na antiga Babilónia quando um jovem, chamado Elmesu moldou e esculpiu em argila o primeiro cartão que desejava saúde, sorte e longa vida ao seu pai.
Ontem, dia 19 de Março, aguardei pelo contacto do meu filho. Passei horas com a doce ilusão de que a minha ex mulher o deixaria falar-me. Ilusão...não mais que isso.
Estou certo de que o Gonçalo se lembrou de mim ontem, não por ser este dia dedicado aos pais mas sim porque eu acredito, o meu filho lembra-se de mim todos os dias.
O ano passado, no fim de semana seguinte ao dia do pai fui buscar o Gonçalo. Lembro-me que ele entrou no carro em lágrimas e sem conseguir proferir uma palavra. Nesse dia fui buscá-lo com o meu próprio pai. Depois de o termos acalmado ele expressou a sua tristeza. Tinha feito um presente para mim no colégio e, por imposição da mãe, ofereceu-o ao companheiro desta. Fiquei chocado sem conseguir controlar as lágrimas. O meu pai levou o Gonçalo a um shopping e deixou-o escolher um presente para mim. Recebi uma imagem de Buda e, mais do que isto o abraço carinhoso e o sorriso transparente do meu querido filho.
Não calculam a dor que tenho sentido ao longo destes quase seis meses de ausência. Acordo e adormeço com a angústia de saber o que será feito da criança que tanto desejei e ajudei a chegar a este mundo. Sofro de uma forma que não consigo traduzir em palavras e alimento os meus dias com as recordações de cada momento e a firme esperança de repetir tantas alegrias.
O Gonçalo é uma criança tão especial, tão cheia de projectos, tão carregado de energias positivas. O Gonçalo é o meu filho lindo, a minha maior preciosidade. Por mais tempo que passe não vou desistir de o ter perto de mim e da nossa família.
Estamos a reformular o quarto destinado ao meu filho. Decidimos renovar as cores e o ambiente embora, como é natural, sem desrespeitar aquilo que o Gonçalo escolheu e a forma como dispôs.
Estou a passar pela fase mais difícil de toda a minha existência. Não serão as dificuldades desta vida as maiores lições? Sofro, dói muito mas...Gonçalo, continuo aqui, firme e decidido. Estamos à tua espera. Sim, estamos! Não estou sozinho e nunca vou estar só.
Amo a minha família! Amo cada uma destas pessoas que estão na minha vida desde sempre e para sempre.
Obrigado a cada uma das pessoas que conheço e me apoiam, obrigado a cada uma das pessoas que eu não conheço mas visitam este blog e me deixam carinho e ternura.
Bem hajam! Uma Páscoa feliz para todos.

terça-feira, 11 de março de 2008

Férias de Verão!



Passaram mais de 6 meses desde as férias de Verão!
Em Agosto, assumido e aceite que estava pelo Gonçalo o crescer da nossa família, fomos juntos para fora do Porto. Decidimos passar o período de férias numa casa de família na companhia dos meus pais, demais familiares e alguns amigos. O Gonçalo usufruiu ao máximo daquele período e, naturalmente da companhia de todos. Lembro-me que no dia da viagem estava ansioso por chegar e não parava de dizer o quanto ia brincar com o primo Bernardo. Foram dias fantásticos! O Gonçalo, dançou, cantou, brincou...enfim!
A meio das férias a mãe do meu filho ligou para o meu telefone móvel. Como é evidente passei de imediato o aparelho ao menino para falar com a mãe. Orgulho-me de nunca ter sonegado ao Gonçalo os contactos com a mãe.
Apreciei a forma como o meu filho e a pessoa com quem decidi partilhar o resto da vida conseguiam rir sem parar e como tinham sempre tema de conversa. Nunca mais me esqueço do sorriso da minha mãe quando nos apanhou, aos três a rir sem parar.
O Gonçalo andava muito empenhado na decoração do seu quarto e, um dia, ao passar por uma montra, escolheu um puff cor de laranja que, segundo ele, ficaria muito bem com a decoração do espaço. A opinião foi unânime! Compramos o puff que continua no teu quarto filhote para quando voltares.
No fim das férias voltamos ao Porto e, com dor, eu preparei-me para levar o meu filho a casa da mãe.

domingo, 9 de março de 2008

Vida refeita!

Anos após o meu divórcio, durante o período de raro respeito da mãe do meu filho e depois de ter as minhas certezas, preparei-me para apresentar ao Gonçalo a pessoa com quem decidi refazer a minha vida.
Fui buscar o meu filho a casa da minha ex-mulher para com ele passar o período de férias de Verão. No caminho disse-lhe que partilhava tudo de mim com outra pessoa com quem projectava casar. O Gonçalo surpreendeu-me ao sorrir e dizer-me que já sabia. É muito inteligente esta criança. Tinha percebido as conversas e os telefonemas, tinha guardado para ele as suas percepções e intuições. Quando chegamos a casa ele reagiu com naturalidade e, quase de imediato começou a interagir com aquela pessoa que para sempre ficará nas nossas vidas.
Decidimos ficar no Porto três dias com a intenção de permitir que os dois se fossem conhecendo. No final do primeiro dia os nossos amigos já comentavam que parecia impossível os dois se terem conhecido naquela manhã.
Depois de um jantar em casa de uma amiga voltamos a casa. O Gonçalo adormeceu no carro e só acordou já no nosso apartamento. Dormiu no quarto carinhosamente preparado para ele.
Na manhã seguinte o meu filho acordou carregado de planos e ideias. Saltou em cima da nossa cama com a naturalidade própria de um menino de 7 anos e abraçou-nos, a ambos, com a sinceridade de uma criança feliz.
O Gonçalo aceitou sem questionar a pessoa que escolhi para partilhar o resto da minha vida.
No dia 17 de Agosto partimos, os três, para um período de férias fora do Porto.