Desde Fevereiro de 2008 até Janeiro de 2011 escrevi neste blog a minha estória de ausência, de dor e de enorme saudade. Hoje, dia 9 de Janeiro escrevo o último post e deixo o blog on-line para que sirva de exemplo. Aos pais e filhos de todo o mundo...sejam verdadeiros, sempre!
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Fui buscá-lo no dia 17 de Outubro de 2007, restavam-me 4 dias até deixar de o ver por tempo indeterminado!
sábado, 21 de junho de 2008
Faz hoje 8 meses!
terça-feira, 17 de junho de 2008
Imagine que era o seu caso!
Imagine que esse seu filho estava à guarda do outro progenitor que, para além disso detinha também o poder paternal...
Imagine que, de boa fé havia acordado com esse mesmo progenitor um regime de visitas para si e para o seu filho...
Imagine que, durante cerca de 5 anos nunca o outro progenitor cumpria esse regime de visitas e que, por via disso estava privado de conviver normalmente com o seu filho e o seu filho consigo...
Imagine agora que, ao fim de tanto tempo o Tribunal autorizava que o seu filho fosse viver para Angola com o progenitor que detinha o poder paternal...
Imagine que durante oito meses não via, não falava, não sabia nada do seu filho...
Imagine tudo isso como sendo seu, a sua vida...o seu filho!
Imagine...o que faria?
Agora deixe a sua opinião:
Acabava por se demitir do seu papel de mãe ou de pai?
Acabava por desistir de lutar pela companhia do seu filho?
Sentiria raiva? De quem? Raiva do outro progenitor? Dos meios judiciais ao seu alcance?
O que faria?
Agora, se tiver tempo leia as mensagens deste blog e deixe-me a sua opinião.
Obrigado
sexta-feira, 13 de junho de 2008
No dia 7 de Julho de 2008!
A semana passada tive uma boa notícia. Assim o espero! O Juiz do processo marcou uma conferência de pais para o próximo dia 7 de Julho. Não tenho a convicção de que a mãe do Gonçalo venha a Portugal por essa altura, confesso que não creio que isso possa acontecer mas, pelo menos vou ter a oportunidade de demonstrar ao Tribunal como eu tinha a minha razão. No dia 8 de Julho vou poder dizer, pessoalmente ao Juiz e à Senhora Procuradora: Eu tinha razão: não vejo o Gonçalo há mais de 8 meses. Não sei nada do meu filho. Eu tinha razão! Direi isto não com a intenção de me afirmar mas, tão só com a intenção de fazer com que o Tribunal perceba a verdade. A verdade: A mãe do meu filho quer, decididamente afastá-lo de mim, privá-lo da minha companhia!
A conferência de pais não vai minorar o meu sofrimento mas, por certo vai levantar mais um pedaço desta minha verdade...desta realidade.
Continuo a viver, conto com amor, carinho, mimo de quem me ama e cuida. Continuo, pacientemente a aguardar e, desta vez com a vantagem de estár acompanhado, guardado e fortalecido por um amor de verdade.
Gonçalo, continuamos à espera, prontos para te receber.
A todos, muito obrigado pelo apoio e amizade.
terça-feira, 27 de maio de 2008
...7 meses! Tenho pena de ti.
domingo, 20 de abril de 2008
Hoje falei com o meu filho...
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Concederam-me 4 dias...
Muito agradeço a todos que visitam esta página e que nela transmitem as suas emoções, o seu apoio, os seus conselhos. Sinceramente, muito obrigado a todos!
Depois de autorizada pelo Tribunal a viagem do Gonçalo para Angola confesso, senti-me desesperado e incapaz de agir ou pensar. A conferência de pais em que se decidiu esta alteração aconteceu, como tive oportunidade de contar, no dia 10 de Outubro de 2007 e, no final da audiência, o Juiz do processo aconselhou a mãe do Gonçalo a deixá-lo passar alguns dias comigo antes da partida.
Como era de esperar, já com o que pretendia reduzido a escrito, a mãe do meu filho disse uma série de coisas no sentido de justificar o não acolhimento do conselho. Não obstante, perante a incisiva intervenção de um advogado presente, o mandatário da minha ex mulher, lá concordou. Ficou decidido que eu ia buscar o Gonçalo no dia 17 de Outubro pelas 19h15m. Lembro-me de ter pensado naquele momento: Ah! Afinal já não tem que estar em Angola até ao dia 15!?
Também para lá do que ficou em acta recebi um conselho, pedir uma avaliação psicológica ao Gonçalo quando ele viesse no Natal. Lembro-me de ter sorrido e dito que não pretendia sujeitar o meu filho a uma situação dessas e, para além disso, tinha a certeza que ele não voltaria no Natal. E não voltou!
Assim foi, abandonei o edifício do Tribunal desfeito, sem forças e com uma enorme vontade de desistir de lutar.
Preparei-me para os últimos momentos com o meu filho. Fui buscar todas as minhas forças e convenci-me de que ia passar aqueles dias a sorrir e a aproveitar ao máximo a companhia dele. Assim foi! Fui buscá-lo no dia 17 de Outubro de 2007, restavam-me 4 dias até deixar de o ver por tempo indeterminado.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Uma ameaça?
Sinceramente desejo que a mãe do meu filho esteja o melhor possível, desejo que também ela se sinta segura e bem de saúde. Não me alegraria uma notícia de que a minha ex mulher estava mal, triste, doente. O bem da minha ex mulher é, em simultâneo o bem do Gonçalo.
Naturalmente prefiro acreditar que o comentário supra não provém da mãe do meu filho. Bem sabemos que na internet estamos sujeitos a pessoas curiosas e de mal com a vida.
A este anónimo desejo o melhor e, principalmente, não desiste de viver todo o tempo que lhe resta, o mais feliz possível!
Tive notícias do meu filho!

Tive notícias do meu filho! Eu, pessoalmente não tenho conseguido entrar em contacto com a mãe do Gonçalo e, consequentemente não tenho falado com o meu filhote. No entanto os meus pais conseguiram estabelecer uma ligação telefónica. Ambos, o meu pai e a minha mãe, falaram com o neto. O Gonçalo fala muito pouco e, no essencial, apenas responde “eh!” às perguntas que lhe são colocadas como, por exemplo, “como vai a escola?”, “estás a gostar?” etc. A minha mãe perguntou-lhe porque não falava ao que ele respondeu “estou com a mãe”!!! Estou com a mãe? Estarás tu a pressionar o nosso filho ao ponto de ele se intimidar com um contacto dos avós? Desejo que não. Prefiro acreditar na ilusão de que o Gonçalo vive sem constrangimento das suas ideias, das suas vontades enquanto ser humano. Que medo é esse filho? Porque estás assim? Temo muito pelo futuro do Gonçalo, pelo seu bem estar, pela sua saúde, pela sua segurança.
Felizmente, em Angola, alguém viu o meu filho. A meu pedido foi procurá-lo com a intenção de verificar como estava. Confesso que fiquei mais aliviado. Alguém da confiança da minha família teve a oportunidade de estar com o Gonçalo, por pouco tempo que tenha sido pelo menos ouvi a frase: «O Gonçalo está, relativamente bem. Está muito moreno e com o cabelo comprido. Faz praia, vai à pesca com o companheiro da mãe e anda na escola.». Fiquei satisfeito mas questionei quanto ao “relativamente”. A resposta foi rápida: «O Gonçalo fala muito pouco mas não parece mal». O meu filho, um falador, um menino que adora conversar e opinar, um menino que se senta no sofá e fica tanto tempo a ouvir e a falar. O Gonçalo está, relativamente bem! Confesso que me alegra saber que ele, aparentemente está bem de saúde; que anda na escola, que faz praia e vai à pesca. Confesso que me acalma ter notícias fiáveis do meu filho. Não obstante, preocupa-me o silêncio de uma criança que eu conheço tão “viva” e cheia de alegria.
Continuo a aguardar notícias do Tribunal de Família e Menores do Porto. Continuo a aguardar pelo momento em que volto a ouvir, a ver, a abraçar o NOSSO filho!
Obrigado a todos pelo apoio que tão bem me faz.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
... O Gonçalo vai para Angola!

Esperei ansioso por uma decisão judicial!
A mãe do Gonçalo informara o Tribunal da necessidade de chegar a Angola até ao dia 15 de Outubro de 2007. Em menos de um mês pretendia resolver a vida do Gonçalo e, com isso, impor sérias alterações na minha vida.
Assim foi, o Tribunal, diligente, marcou uma conferência de pais para o dia 10 de Outubro, se não me falha a memória. Confesso que entrei naquele edifício com a firme esperança de que, em nome do bem do Gonçalo, o Tribunal acabaria por decidir pela sua permanência em Portugal. Francamente, apesar dos tantos casos conhecidos ou simplesmente de que me falavam, eu acreditava numa decisão equitativa e, acima de tudo, de uma decisão em nome da criança. Não aconteceu assim! Mal entrei na sala de audiência, de imediato a Senhora Procuradora do processo me disse que estava decidido autorizar a viagem do meu filho para Angola. Portanto, restava chegar a um acordo quanto ao regime de visitas.
Estava decidido? Mas eu não me pronunciei, eu nada disse…e o Gonçalo? Estava decidido? Porquê? Por ser o melhor para o Gonçalo? Respondeu-me o Senhor Juiz que, neste caso, não existiam razões para alterar a guarda e o poder paternal. Razões? Mas…a mãe do meu filho quer fazê-lo viver longe dos seus familiares e amigos, num país distante, desconhecido e, como sabemos com sérios riscos em termos de segurança. Nada importa: estava decidido!
A partir daquele momento a mim só me ouviram dizer: Senhores doutores, se o Gonçalo entrar no avião eu nunca mais o vejo! Senhores doutores, durante quatro anos a mãe do meu filho nunca cumpriu o acordo de regulação do poder paternal. Não o cumpriu em Portugal eu garanto que não cumprirá em Angola. E assim foi, repeti estas frases durante cerca de duas horas.
Foi a minha advogada quem, por mim, fez as alterações do acordado quanto ao regime de visitas. Eu sempre soube: nunca mais voltaria a ver o Gonçalo.
O Gonçalo tem agora 8 anos mas, ainda assim, não entendo como foi possível escolherem para ele, sem sequer o ouvirem, um destino e uma vida longe de casa e de parte das pessoas que ele ama.
Senhores doutores, infelizmente eu tinha razão: Algum dos senhores me sabe dizer, com absoluta certeza onde está o meu filho? Não o vejo desde o dia 21 de Outubro de 2007. Algum dos senhores me sabe dizer porquê? Algum dos senhores é capaz de fazer cumprir este acordo? Algum dos senhores sabe como vai o Gonçalo de saúde? Como corre a escola?
Senhores doutores, daqui por dez anos, pelo menos daqui por dez anos eu vou querer apresentar-lhes o meu filho, nessa altura com dezoito anos e, sinceramente, vou querer que o ouçam, pelo menos nessa altura, sobre a decisão que, em nome dele tomaram!
Continuo sem notícias do meu querido filho!