Eu garanto que só quero ser pai, pai por inteiro, pai completo, pai nos melhores e nos piores momentos. A quem posso dizer que quero ser pai? Quem pode ajudar-me a cumprir esta tarefa que me foi confiada no dia em que o Gonçalo foi concebido? NINGUÉM!
Ontem, às 15h00m lá estava eu no Tribunal de Família e Menores do Porto. Pontual e cumpridor...como sempre! Enquanto aguardava pela chamada percebi que a mãe do Gonçalo não estava presente e imaginei que voltaria a faltar. Rapidamente o meu pensamento foi para as duas turmas que eu deixei sem aulas para estar ali, para os meus alunos e os pais destes com quem, confesso, sinto que tenho o dever de estar presente, de não faltar em hipótese alguma.
Aguardei paciente e certo de que desta vez seria ouvido pelo Juiz do processo. Ilusão! Pura ilusão de que me respeitam, de que respeitariam a minha vida profissional, o meu tempo, os meus alunos.
Uma vez mais a mãe do meu filho Gonçalo faltou! Enquanto me diziam que ela estava doente em casa eu recebia um telefonema que me informava de que ela estava a sair de casa dos sogros, sozinha e a conduzir! Pobres, tristes os que se acham assim tão espertos!
Pasmem! Não fui ouvido! Perdi uma tarde de trabalho para não ser ouvido uma vez mais.
Pior...muito pior: O simpático oficial de justiça, um senhor que me parece muito competente e extremamente delicado deu-me a notícia. Hoje, às 14h00m vou buscar o Gonçalo a casa da mãe e ficarei com ele até que parta para Angola! Feliz? Não, nada, nem um pouco. Tenho a certeza de que o Gonçalo não me será entregue esta tarde e, ainda que seja como poderei achar bem que ele volte para Angola, assim...sem mais, sem que a mãe tenha de enfrentar o Tribunal, assumir as suas culpas e encontrar uma solução para que não passe mais um mês sem que eu tenha notícias do Gonçalo?!
Mais...ainda há mais! A mãe do meu filho Gonçalo não voltará tão cedo para Angola e ele irá com "não sei quem"!? Que tal? O meu filho, que não é órfão nem de pai e nem de mãe vai, alegadamente para Angola sozinho, com um terceiro que nem é da sua família, que eu não sei quem é! Porquê? Aparentemente para iniciar as aulas em Fevereiro. Não me façam rir. Não...chorar não choro e, se a ideia é desistir...desistam porque eu vou continuar aqui, de frente, de cara levantada, sem medo e a lutar pelo dia em que este Estado vai ouvir a razão.
Mas...por favor, digam...este processo não é digno de um "nós por cá"?
Em nota final: Ontem, às 22h40m a mãe do meu filho, doente, tão doente...andava na rua, sozinha e a conduzir! Testemunhas? Mais que muitas...será que interessa ouvi-las?